Como gastar menos com o seguro do seu carro
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Na prática, saber qual o melhor negócio para você e, principalmente, como funciona o seu seguro é bem mais complicado.

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Na teoria, seguro de carro é um negócio simples: você paga um valor anual e recebe a garantia de que terá as despesas ressarcidas em caso de acidente ou roubo.

Na prática, saber qual o melhor negócio para você e, principalmente, como funciona o seu seguro é bem mais complicado.

Há uma falta de conhecimento crônica dos motoristas sobre o que suas apólices contemplam, além de uma opacidade das seguradoras sobre condições de uso e cálculo dos prêmios.

Para evitar prejuízos, portanto, o melhor é consultar quem entende do assunto. Foi o que fizemos: o diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Neival Freitas, nos ajudou a entender como funcionam bônus, prêmios, franquias reduzidas e ampliadas para saber a melhor maneira de agir em caso de sinistro.

Veja a seguir situações hipotéticas que dão uma boa dimensão de como é possível gastar menos com seguro.

Pago a franquia ou o conserto?

Bônus é um desconto que você ganha na renovação do seguro caso  ele não tenha sido utilizado no ano anterior.

E esse desconto é progressivo: quanto mais tempo você passar sem incidentes, maior será sua recompensa, ou sua “classe”, para usar o termo das apólices.

Essa é a parte que todo mundo entende. O problema é: se você usar o seguro, qual o tamanho do desconto que você perderá na sua próxima apólice? Vale a pena, por exemplo, não acionar o seguro só para não baixar de classe?

A resposta exata é que o bônus varia caso a caso – e as seguradoras não gostam muito de mostrar como o cálculo da renovação será feito.

Mas dá para estimar, segundo Neival Freitas, que cada classe de bônus corresponde a cerca de 5% da apólice, podendo superar esse valor.

Na classe máxima, que é a 10, o desconto chega a 50%. Em caso de sinistro, você desce um degrau na classe do seu desconto. Degrau que você voltará a subir no ano seguinte, caso não acione a seguradora.

Pense na seguinte situação: José tem um carro de R$ 75.000. Seu seguro custa 8% do valor do carro, ou R$ 3.000. Mas ele tem a classe máxima de bônus, e por isso paga apenas R$ 1.500.

José bobeou no estacionamento e pegou uma pilastra.O conserto foi estimado em R$ 2.100. A franquia é de R$ 2.000.

Em uma análise superficial, o que parece dar menos despesa é pagar a franquia, mas não é bem assim. Usar o seguro para o conserto tira uma classe de bônus do segurado.

Cada classe de bônus corresponde a pelo menos 5% do valor da apólice, ouR$ 150 de desconto.

Desse modo, o conserto pelo seguro vai custar cerca de R$ 2.150 – soma da franquia, mais a perda de bônus. E pode até ser mais.

“O objetivo da franquia é reduzir os gastos da seguradora com pequenos consertos – que, além do reparo em si, incluem guincho, técnicos de avaliação e por aí afora. A ideia é criar um valor mínimo para que essa estrutura seja acionada”, diz Freitas.

Quando precisar consertar o carro, não deixe de levar o bônus em consideração. Ele é parte da despesa. Ou da economia.

Causei um acidente. Aciono o seguro para terceiros?

João não viu o carro que estava atrás de seu jipe enquanto dava ré. O para-choque não foi afetado, mas a lateral do outro carro foi danificada.

Correto, João procurou o dono do carro e se dispôs a pagar o conserto, orçado em R$ 500.

O seguro do jipe de João custa R$ 10.000 e ele tem classe de bônus 4, o que reduz o preço para R$ 8.000. Entre as coberturas está a de responsabilidade civil.

O valor dessa cobertura, opcional, varia de acordo com a proteção. Normalmente, ela equivale a cerca de 25% do custo total do seguro.

A cobertura a terceiros, neste caso específico, responderia por aproximadamente R$ 2.500 dos R$ 10.000.

Também há bônus para essa cobertura. No caso do seguro de João, ela também é de classe 4. Isso faz seu valor cair para R$ 2.000.

Se acionar o seguro para terceiros, João não terá custos diretos, já que não existe franquia nesses casos, mas perderá uma classe de bônus, equivalente a R$ 125.

Compensa. Só não compensará no caso de uma cobertura muito alta, na qual a perda do bônus ultrapasse o valor do conserto.

Ou seja: quase nunca. De todo modo, lembre-se de calcular quanto de bônus e quanto de conserto você terá de pagar. Se precisar, peça a ajuda de seu corretor na tarefa.

Franquia reduzida é sempre vantajosa?

Ao contratar um seguro, você vai receber ofertas de comprar franquia reduzida e ampliada. Na primeira, o seguro é mais caro, mas a franquia para consertos é menor.

Na segunda, é o contrário: ela derruba o preço de contratação, mas aumenta a parte que você cobrirá sozinho em caso de acidentes. Pense no seguinte caso: Joaquim precisa contratar o seguro de seu carro novo, que custa R$ 150.000.

Custaria R$ 12.000 se ele não tivesse classe de bônus 10. Com isso, o seguro sai por R$ 6.000.

A franquia é deR$ 3.000, mas ele pode optar pela versão reduzida de R$ 1.500, que por sua vez aumenta o valor do seguro para R$ 7.500. Bom negócio?

A resposta é um efusivo não. Joaquim não tem perfil de risco para acidentes, ou seja, dificilmente terá que pagar franquia. Já o seguro, ele paga todo ano.

Talvez fosse vantagem contratar a franquia ampliada, que reduz o valor do seguro. Mas não é bem assim.

Enquanto a franquia reduzida aumenta o valor do seguro absurdamente, a aumentada diminui o custo muito pouco. Imaginemos que ele amplie a franquia para R$ 6.000.

O valor do seguro será de R$ 5.800, em média. R$ 200 de economia por ano podem fazer diferença, mas não o suficiente para compensar o prejuízo deR$ 3.000 que ele teria ao ter de pagar a franquia mais cara por um even­tual acidente que provoque.

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